Capítulo 6B – Pedro de Souza Bentes II

Família Nascimento & Vale Pedro de Sousa Bentes II 1900 - 1974

Pedro de Souza Bentes ocupa posição central na história da família Bentes, representando a transição entre o legado ancestral herdado dos patriarcas e a consolidação de uma presença marcante na região amazônica.

Filho de Pedro de Sousa Bentes (Patriarca) e Maria de Sousa Bentes — ambos nascidos no Pará e integrantes das famílias pioneiras da vila — Pedro nasceu em 22 de junho de 1900, no Pará, e faleceu em 29 de abril de 1974 em Curuá-PA. Viveu em época de guerras, mudanças políticas, ciclos econômicos e transformações culturais — e permaneceu de pé.

“Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio.”

O tempo revela o que foi construído com fundamento.

Sociedade com o Irmão Alderindo

Pedro tinha um irmão chamado Alderindo, também nascido no Pará. Alderindo era fazendeiro consolidado e possuía grande quantidade de gado em Curuá-PA. Em determinado momento, os dois irmãos estabeleceram uma sociedade na criação de gado, fortalecendo economicamente a família.

Alderindo já detinha experiência e estrutura, e Pedro passou a atuar diretamente como fazendeiro, expandindo as atividades pecuárias. Juntos, consolidaram a presença da família Bentes no cenário rural da região.

A terra exige constância.
O gado exige vigilância.
A sociedade exige confiança.

“Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito.”

Gestão começa no detalhe.

Atuação Rural e Liderança

No contexto do início do século XX, a ocupação territorial amazônica estava profundamente ligada ao trabalho rural. A criação de gado representava prosperidade, organização e estabilidade.

A propriedade de Pedro tornou-se referência econômica e social na região, contribuindo para o desenvolvimento local. Sua autoridade era exercida com firmeza, mas pautada na responsabilidade, na palavra empenhada e no respeito mútuo.

Naquele tempo, a palavra valia contrato.
A honra sustentava reputações.

“Melhor é o bom nome do que as muitas riquezas.”

Reputação é herança invisível.

Núcleos Familiares e Continuidade do Trabalho

Primeiro casamento – com Tereza

De sua união com Tereza Pereira Garcia (nascida no Curuá), nasceu:

Eduardo cresceu inserido no ambiente rural e trabalhou diretamente com o pai na fazenda. Participava das atividades da criação de gado, acompanhava as rotinas do campo e aprendia, na prática, a responsabilidade da gestão rural. Mais tarde tornou-se fazendeiro e criador de Gado em Alenquer-PA.

Eduardo, casado com Agostinha da Silva Garcia (Alenquer-PA), gerou Raimundo Garcia e José Pio Garcia.

Não herdou apenas o nome — herdou o ofício.

Segundo casamento – com Ana

Posteriormente, Pedro casou-se com Ana da Silva Bentes, com quem teve:

Raimunda Maria, nascida em Curuá-PA, seguiu um caminho distinto. Posteriormente destacou-se na área da educação e do serviço público, exercendo a função de Secretária de Educação no Careiro Castanho-AM.

Raimunda gerou Ana Oscarina Bentes do Vale, Edite Cleame Bentes do Vale, Ieda Bentes do Vale, Pedro Bentes Neto, Emanuel Bentes do Vale, Marcos Alexandre Bentes do Vale e André Bentes do Vale.

A fazenda não era apenas espaço de produção — era espaço de formação.

Ali se ensinava pelo exemplo.
Ali se aprendia observando.

Gerações não são linhas retas.
São ramificações.
Algumas permanecem na terra.
Outras expandem o legado para novos territórios.

Legado

Pedro de Sousa Bentes faleceu em 30 de Abril de 1974 em Curuá-PA, deixando como herança um legado de trabalho, fé, liderança e identidade territorial.

Sua história representa:

O que permanece não é apenas o que se possuiu, mas o que se formou nas pessoas.

“O homem bom deixa herança aos filhos de seus filhos.”

Herança verdadeira ultrapassa o material.

Do pioneirismo em Curuá à consolidação rural.
Da sociedade entre irmãos ao fortalecimento familiar.
Do campo à educação.
Da terra ao serviço público.

Pilares não aparecem — sustentam.

Depoimento de Raimunda Maria sobre seu pai, Pedro de Souza Bentes

“Meu pai, Pedro de Souza Bentes, era um homem de fé firme e silenciosa. Todos os dias, sem exceção, ao meio-dia, ele se recolhia ao seu quarto para orar. Ficava ali por cerca de trinta minutos, em completo silêncio, como se o tempo parasse naquele instante. Aquele momento era sagrado para ele, e toda a casa aprendia a respeitar. Ninguém ousava interrompê-lo.

Eu observava aquele gesto com admiração. Não era uma fé exibida, mas profunda, disciplinada e constante. Suas orações pareciam sustentar não apenas a própria vida, mas também a nossa família. Depois que saía do quarto, ele voltava mais sereno, com um semblante de paz, como quem tinha conversado com Deus e encontrado forças para continuar o dia.

Esse hábito marcou minha memória e minha formação. Aprendi, vendo meu pai, que a fé não se faz apenas de palavras, mas de compromisso diário, de silêncio, de respeito e de entrega. Até hoje, quando lembro dele, é essa imagem que me vem primeiro: um homem simples, ajoelhado em oração, ensinando sem falar.”
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e fecha a porta.”

A fé mais forte é a que não precisa de plateia.

“O justo viverá pela fé.”

Algumas heranças não são vistas — são sentidas.

Ana e Pedro de Sousa Bentes Em pé: Eduardo, sua esposa Augustinha, Ana e Raimunda no seu colo. Sentada: Tereza, mãe de Eduardo e seu neto no colo. Laurelindo e Raimunda Bentes Pedro e Raimunda Bentes Eduardo Pereira Garcia Pedro de Sousa Bentes - 50 anos Laurelindo de Sousa Bentes Raimunda criança Eduardo - Filho de Pedro de Sousa Bentes
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