No final do século XIX, o explorador francês Henri Coudreau percorreu diversos rios da Amazônia, registrando impressões detalhadas sobre a geografia, os habitantes e a organização dos núcleos ribeirinhos da região.
Em sua obra “Voyage au Curuá”, ele descreve o rio Curuá como um curso d’água sinuoso, cercado por floresta densa e habitado por pequenas comunidades dispersas ao longo de suas margens.
Coudreau observa que o rio apresentava águas calmas em certos trechos, mas também áreas de difícil navegação. Ele destaca a riqueza natural da região e a forte presença da floresta amazônica dominando a paisagem.
“O Curuá serpenteia entre a mata espessa, refletindo o verde profundo das margens e revelando, aqui e ali, pequenos agrupamentos humanos que vivem do rio e da floresta.”
O explorador descreve os moradores como ribeirinhos dedicados à pesca, à agricultura de subsistência e ao extrativismo. Pequenas casas de madeira, cobertas de palha, compunham o cenário das povoações.
“As habitações simples se alinham próximas às margens, e seus habitantes demonstram profundo conhecimento do rio que lhes sustenta.”
Embora Coudreau não tenha presenciado a Curuá organizada como município, seus relatos ajudam a compreender o estágio intermediário entre o núcleo extrativista do século XIX e a futura vila formalizada em 1900.
Seu olhar estrangeiro oferece um registro valioso da paisagem, do modo de vida e da dinâmica social do território que mais tarde consolidaria sua identidade como município do Baixo Amazonas.